sexta-feira, 26 de junho de 2020

CONSCIÊNCIA DE CLASSE E CONSCIÊNCIA DE IRMANDADE

O Pensador!

Por Fernando de Noronha

1. Doutrinação capitalista contra a consciência de classe trabalhadora

A esquerda, que se baseia nos ideais marxistas, historicamente considera duas classes que estão em constante conflito uma com a outra: a classe trabalhadora e a classe dominante, constituída especialmente por grandes proprietários do capital e dos meios de produção. Porém, havendo uma grande diferença entre ser trabalhador pobre e ser um grande capitalista, e sabendo-se que existem pessoas cujos ganhos mensais são maiores do que os dos trabalhadores realmente pobres e menores do que os dos grandes donos do capital, estando em posições intermediárias entre um e o outro grupo, a esquerda, pelo menos atualmente, estabeleceu como classe dominante apenas os grandes donos do capital, isso é, uma elite muito pequena que detém muito poder econômico e financeiro, que tem condições de comprar todas as formas de poderes instituídos segundo seus interesses de dominação. Quanto a todo o restante, a esquerda o considera como classe trabalhadora e massa pobre que precisa da proteção do estado para que seus direitos sejam garantidos.
Tal definição de fato é bastante precisa, e, com base nela, a esquerda procura conscientizar a todos os que não são classe dominante de que eles não são elite, são pobres e precisam eleger governos que garantam os direitos de toda a massa mais pobre da população, protegendo-a das investidas do grande capital para explorá-la até o último sangue e tirar dela o maior lucro possível, pagando a seus trabalhadores o quanto menos possível. Ao mesmo tempo, a esquerda procura levar a todos aqueles que não são classe dominante a idéia de que precisam ser unidos uns com os outros, lutando de mãos dadas por aquilo que seriam seus interesses comuns, já que eles não controlam o estado, sendo antes controlados por ele. Essa doutrina é ensinada tanto ao trabalhador que ganha salário mínimo quanto ao empresário de cinqüenta empregados, isso é, para pessoas que ganham algo dentro de uma grande faixa de renda, mas que não têm o poder de controlar os poderes instituídos, e que, por isso, estariam “no mesmo barco”.
O grande problema, porém, é que, com a doutrinação capitalista presente em todos os meios de comunicação, informação, educação e doutrinação, essa tentativa da esquerda de gerar consciência de classe unida em todos aqueles que não são classe dominante é tão ineficaz quanto tentar matar um tigre com um grão de areia. Os poderosos do mundo capitalista se organizaram muito bem para destruir totalmente a consciência de classe no meio daqueles que eles dominam. No Brasil, por exemplo, qualquer doutrinação marxista que possa haver no meio educacional é nada em comparação com o poderoso aparato ideológico capitalista que está presente em praticamente todos os lugares.
E o que é a doutrinação capitalista? A grande base dessa doutrinação é o individualismo. A liberdade também é uma grande palavra chave dessa doutrinação, mas uma liberdade individualista, e não coletiva. Com base nisso, ensina-se a cada pessoa que ela é livre para seguir o seu próprio caminho, segundo seu desejo e segundo o que ela definiu em sua mente como meta de vida. Tal ensino vai mais longe ainda e diz às pessoas que elas podem chegar a quaisquer lugares ou posições desejadas, por mais altos ou longes que eles sejam, bastando para isso elas acreditarem continuamente que podem e se esforçarem sem nunca desistir. Assim, as pessoas são incentivadas a seguir sonhos e caminhos individuais, e não coletivos, o que, por si só, já destrói a consciência de classe trabalhadora unida, pois uma classe unida só pode realizar suas metas coletivas de maneira unida, e não como indivíduos onde cada um segue o seu caminho, e nem muito menos como competidores uns dos outros, que é outra grande conseqüência da doutrinação capitalista, pois, à medida em que os indivíduos vão percebendo têm sonhos em comum e que lutam para chegar aos mesmos lugares, eles se vêem obrigados a lutarem uns contra os outros para realizarem seus desejos mais profundos nesta vida e atingirem essas metas que eles têm em comum.

2. Os meios da doutrinação capitalista

A religião protestante é o meio de doutrinação religiosa que leva o capitalismo ao mundo. Não é à toa que os EUA são os principais formadores de missionários cristãos protestantes que vão ao mundo converter as pessoas ao protestantismo, levando, em última análise, a doutrinação capitalista aos países afora, sob o pretexto de estarem seguindo a ordenança de Cristo de levar o evangelho ao mundo, a qual está descrita na bíblia. No Brasil, por exemplo, a religião protestante atinge principalmente as camadas mais pobres de sua população urbana, principalmente as das linhas pentecostais e neopentecostais, as quais são ainda mais agressivas no que diz respeito a levar a cultura capitalista ao mundo. O uso da religião para esse fim atinge apenas aqueles que se convertem a ela, embora possa ser o meio mais potente de levar as mentes das pessoas à ilusão de que podem realizar seus sonhos individualistas e megalomaníacos.
Mas a ideologia capitalista é propagada por diversos meios de informação que, juntos, chegam a atingir toda a população dos países dominados pelo capitalismo. Dentre esses meios, temos a televisão, as grandes editoras, as escolas e a própria internet. A internet de modo nenhum democratizou a imprensa. Muito dinheiro é usado pelos grandes capitalistas para fazerem ter grande visibilidade na internet conteúdos que são interessantes a eles e para ter visibilidade pouco significante aqueles conteúdos que contestam o capitalismo. Em alguns países, como o Brasil, a esquerda tem capital para investir em publicidade em redes sociais como o Facebook, mas tal publicidade é incomparavelmente menor do que a publicidade de material de direita, que é a ideologia política que afirma todos os princípios do capitalismo. Além disso, é válido ressaltar que a esquerda brasileira e de vários outros países da América latina não é originalmente marxista, tendo muito mais identidade com o atual comunismo chinês, que é comunista na política e capitalista na economia. Assim, o conteúdo que corre na internet é predominantemente capitalista neoliberal, mesmo quando vem da esquerda. O que a esquerda mundial de hoje faz de diferente é dar uma maior ênfase no bem estar social, de modo que todas as camadas sociais possam ter uma vida digna.

3. Entretenimento, ciência e tecnologia a serviço da doutrina neoliberal

Além disso, temos a indústria do entretenimento para trazer diversão às pessoas enquanto elas são acostumadas a aceitar as injustiças do sistema como sendo verdades absolutas. Enquanto as pessoas têm programas para se divertirem por meio eles, elas não se sentem motivadas a se unir e lutar por uma vida melhor. O entretenimento tem um potencial muito grande nesse sentido. Todas as civilizações humanas desenvolveram, até certo ponto, meios para alienar as massas de seus direitos básicos, fazendo-as se acostumar com as injustiças às quais são submetidas. As religiões e as artes sempre foram utilizadas para isso. Meios de entretenimento dos povos também são táticas antigas nesse sentido. Mas nunca os meios de lavagem cerebral para levar a cultura de um império ao mundo foram tão potentes quanto nos dias de hoje.
A ciência e a tecnologia estão também a serviço disso. A tecnologia áudio-visual tem sido desenvolvida em função do conhecimento de psicologia cada vez mais amplo para hipnotizar as pessoas e levá-las a terem sonhos individualistas, a se deslumbrarem com eles, a terem fortes emoções desejáveis com todas as formas abundantes de entretenimento disponíveis, a terem vontade de comprar produtos que são anunciados nas propagandas, a acreditarem nas notícias a respeito do que acontece no mundo, etc. Toda essa tecnologia está cada vez mais desenvolvida e mais potente para aprisionar as pessoas nesse ciclo interminável de ilusões e desilusões da competição individualista. Assim, dar um pouco de liberdade de expressão para quem contesta o sistema não causa nenhum abalo ao mesmo, pois tamanha alienação aliada a um mínimo de capacidade de consumir os produtos e serviços que são comercializados não vai gerar revoltas populares significativas.
É importante notar que o entretenimento capitalista consiste basicamente em jogos, isso é, em competições e mais competições. A competição no mundo capitalista não é apenas uma das grandes conseqüências da doutrinação deste sistema, como foi dito anteriormente, mas um dos principais motores da economia neoliberal. Dessa forma, essa doutrinação está também presente na indústria do entretenimento. Atualmente, são raras as partes do mundo que escapam desses meios de transmissão da ideologia neoliberal, pois, como foi dito, mesmo nos países onde a esquerda governa as regras econômicas são neoliberais.
Não é difícil convencer as pessoas dos ideais capitalistas, uma vez que a natureza humana sempre foi competitiva desde que a humanidade surgiu. Não estamos inclinados a cooperar uns com os outros, e, sim, a competir com as pessoas para nos destacarmos diante delas. Assim, os ideais capitalistas são facilmente assimilados pelo ser humano, desde o menor até o maior, fazendo com que o que há de pior no ser humano torne-se ainda mais forte e mais perverso. A humanidade, graças a esses ideais, está tão dividida que temos indivíduos lutando uns contra os outros, o que não exclui o fato de que as pessoas ainda tendam a se organizar em pequenos grupos com interesses comuns para lutarem contra outros grupos por um mesmo objetivo. Falando-se em associações de grupos para competirem com outros, hoje, por exemplo, fala-se muito em competitividade e na necessidade dos países serem fortes economicamente o suficiente para competirem com o resto do mundo. 
 
4. Consequências da doutrina no mundo corporativo

Mas como isso se reflete no mundo corporativo, isso é, no ambiente de trabalho? As empresas, buscando maximizar seus lucros, vão sempre preferir contratar o funcionário que está disposto a vestir suas camisas e a fazer tudo por elas. Psicólogos bem preparados contratados pelas empresas estão presentes nas entrevistas de emprego para avaliar psicologicamente o candidato a uma vaga de emprego e ver se ele atende ao perfil de quem a empresa procura, isso é, o perfil de se aliar voluntariamente ao dono do negócio para fazer tudo para que a empresa cresça. Além disso, esses psicólogos avaliam se o candidato diz a verdade ao falar sobre suas qualificações técnicas e se ele tem capacitação psicológica para ser muito produtivo. Assim, esses psicólogos dizem ao empregador o que perceberam do candidato, o que dá a ele a capacidade de tomar a devida decisão em relação ao entrevistado. Dessa forma, as empresas contratam profissionais que se aliem à chefia, e não a outros trabalhadores da empresa, o que é altamente eficaz para evitar motins de trabalhadores contra eventuais injustiças praticadas contra eles pelos chefes.
Por isso mesmo, é altamente desejável pelos empresários que seus empregados tenham o sonho não só de se firmar na empresa como também de crescer dentro dela, pois tais funcionários só vão pensar em agradar a chefia de todas as formas. Isso gera a competição dentro do mundo corporativo pelas melhores posições que ele pode oferecer, isso é, as posições de maior destaque e que pagam melhor, o que faz com que esses trabalhadores sejam inimigos uns dos outros. Assim, todas as investidas do capitalismo para destruir a consciência de classe trabalhadora funcionam com grande nível de perfeição. As redes sociais também estão a serviço dos empresários na hora de se contratar funcionários, principalmente dos grandes empresários, pois, tendo estes os dados de candidatos a vagas de emprego dentro de suas empresas, eles podem ter acesso ao que eles postam publicamente nessas redes sociais. Pessoas identificadas nelas como esquerdistas tendem a ser eliminadas dentre os candidatos, pois tendem a ser vistas como inimigos dos patrões, tendo em vista a luta de classes proposta por Marx, que é um dos grandes fundamentos da ideologia de esquerda. Lembrando que tal luta de classes prevê um contínuo conflito entre a classe trabalhadora e a classe dominante por causa da exploração trabalhista.
Todo esse processo de destruição da consciência de classe trabalhadora, que vem colocando os trabalhadores como inimigos uns dos outros, tem facilitado a realização das reformas trabalhistas pelo mundo afora, as quais têm eliminado direitos trabalhistas e trazido facilidades para os empregadores nos processos de contratação e de demissão de funcionários. Tais perdas de direitos trabalhistas têm tornado muito difícil a vida dos trabalhadores, inviabilizando, em muitos casos a procura de empregos formais e gerando crescimentos expressivos na informalidade. A resistência que os trabalhadores tem imposto a essas reformas trabalhistas tem sido insuficiente para conter o avanço delas. Os sindicatos não têm a força que tinham no passado para amotinar movimentos trabalhistas fortes o suficiente para reverter esse processo de perdas de direitos trabalhistas que acontecem de tempos em tempos de forma acumulativa. Há até não muitas décadas atrás, as guerras trabalhistas eram muito sangrentas, enquanto que, hoje em dia, bastam umas balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que lutam por direitos. É muito comum os sindicatos trabalhistas serem comprados pelos empresários. Os próprios líderes sindicais são atingidos pela doutrinação capitalista em grande nível.

5. É possível ressuscitar a consciência de classe trabalhadora?

Então, a grande pergunta diante de tudo isso é: como despertar novamente a consciência de classe trabalhadora? Quantos direitos trabalhistas terão que ser tirados dos trabalhadores para que esses esqueçam toda diversão proporcionada pelo mundo capitalista e todo sonho individualista para se unirem de novo como no passado? Se até a parte da classe trabalhadora que está na base da pirâmide social e que ganha muito pouco está iludida com o sonho do crescimento pessoal e profissional sem limites, como uni-los novamente para um novo combate que seja forte o bastante para conter a atual perda de direitos que estão sofrendo no mundo capitalista? Como mudar a mente deles, ainda mais sabendo que os empresários fazem todo o possível para contratar somente trabalhadores com mentalidade patronal e com a ilusão de que vão crescer sem limites em suas empresas?
Se é assim com os trabalhadores que menos ganham, quanto menos possível não será convencer um profissional altamente qualificado, que ganha seus  10 mil reais por mês, de que ele é um proletariado, e não classe dominante? Se esse tanto é o que a empresa lhe paga por ele ser tão produtivo para ela, como ele vai se identificar com a parte mais pobre da classe trabalhadora, e não com a empresa? Como é possível levar consciência de classe trabalhadora aos empregados que ganham bons salários em suas empresas sabendo-se que o quanto esses profissionais mais qualificados ganham depende de suas habilidades de negociar bons salários com seus chefes, e não de sua união com outros trabalhadores por melhores salários e condições mais dignas de trabalho?
E quanto aos pequenos empresários e a todos aqueles empresários que não fazem parte da classe dominante? É possível fazê-los se identificar com a massa mais pobre, visto que eles já são empresários, e que, via de regra, também exploram trabalhadores para se enriquecerem com o trabalho deles? Levá-los a se identificar como trabalhadores não e contraditório, justamente porque seus interesses entram em conflito com o dos trabalhadores que trabalham para eles?
Pensando nisso tudo, temos que concluir que, pelo menos nos dias atuais, não há somente duas classes sociais, como Karl Marx descrevia. É preciso conceber a existência de uma terceira classe social, que é a que está entre aqueles que de fato deveriam se identificar como proletariados e os grandes empresários. Uma classe intermediária que certamente não é classe dominante, mas que também nunca vai se identificar como classe trabalhadora enquanto seus integrantes estão nas posições sociais que ocupam. Essa parte da sociedade não se vê muito atingida por medidas governamentais que privilegiam aquela que é de fato a classe dominante.

6. O desastre social do (neo)liberalismo

Um fato que deveria ser suficiente para grande parte da população mundial estar convencida de que deveria desistir de seus sonhos individualistas para abraçarem um grande sonho coletivo é o de que essa competição louca é uma guerra perdida. Muitos competem pelo pódio, mas somente um deles chega ao topo dele. Esta sociedade, onde as liberdades individuais se traduzem em sufocantes competições de todos os tipos, é semelhante a milhões de espermatozóides que “competem” para fecundar um único óvulo, mas só um deles chega lá, e o resto “se frustra”. É semelhante também a Olimpíadas, onde muitos competem nos estádios, mas somente um de cada modalidade de esportes leva a medalha de ouro. Não adianta: muitos são os que competem pelas posições de destaque na sociedade, mas uma ínfima parte dela chega a essas posições. Mesmo se houvesse igualdade de oportunidade para todos, ainda assim isso seria verdade. É uma questão matemática. Um exemplo simples: se todos fossem supervisores em uma empresa, quem seriam os trabalhadores de base que são supervisionados por eles? Se, por exemplo, tem-se numa empresa que cada supervisor lidera quinze outros trabalhadores, então temos uma competição de 15 para 1 na luta para se chegar a ser supervisor, se todos da empresa competirem para isso. E olha que ser supervisor é um sonho pequeno em comparação aos sonhos individualistas que o capitalismo anda vendendo por aí.
Mas alguém poderia dizer: “É apenas uma questão de cada um ter a humildade de começar de baixo e, aos poucos e com muita paciência, ter sua oportunidade de crescer e então subir de nível cada vez mais.”. Isso seria possível que a sociedade fosse um prédio, e não uma pirâmide, onde cada nível social tem a mesma quantidade de pessoas, já que todas, segundo essa teoria, podem subir de nível com o passar do tempo. Mas não é assim. A sociedade é uma pirâmide onde a quantidade de pessoas cresce exponencialmente dos níveis superiores aos níveis inferiores, inviabilizando completamente essa teoria de que todos podem crescer começando de baixo e tendo muita persistência e paciência.
Mas vamos imaginar uma situação onde mil funcionários de uma empresa desejam estar na posição daquele que lidera todos eles. Até que seria possível todos chegarem lá, mas isso se estiverem dispostos a ficar na posição por apenas um milésimo de todo o tempo em que eles trabalham em tal empresa, pois os outros mil teriam que também ter seu tempo de liderança nessa posição de um para mil. Mas esta é uma hipótese totalmente irreal, pois ninguém cresce numa empresa para ficar tão pouco tempo numa posição de liderança. Isso é impraticável. O mesmo raciocínio se aplica a quem deseja crescer como empresário, pois, se todos forem empresários, quem serão os trabalhadores que trabalharão para eles?
Por isso, essa competição institucionalizada é uma guerra perdida. Para haver vencedores, é preciso haver uma grande multidão de perdedores. Tal competição sufoca a alma e traz aos competidores todas as formas de transtornos emocionais: medo, ansiedade, frustração, depressão, derrotismo e uma infinidade de doenças psíquicas que estão catalogadas no Código Internacional de Doenças, as quais submergem a presente civilização num inferno existencial insuportável que pode durar a vida toda. Até mesmo os vencedores passam por esse inferno, pois também vivem uma vida de competições contínuas, mas eles acabam amando a vida que levam porque tamanho sofrimento é compensado pela glória social que eles têm diante das multidões.
A grande maioria das pessoas passa longe de compreender essa verdade a respeito da competição capitalista institucionalizada, uma coisa que pode ser compreendida por meio da observação e da análise de como funciona nosso sistema, isso é, uma coisa que, a princípio qualquer um poderia compreender por meio de exercícios cognitivos. E, mesmo dentre aqueles que compreendem essa verdade, são muito poucos os que decidem levar uma vida fora da lógica da competição individualista. Infelizmente o ser humano em geral é inclinado demais para suas manias de grandeza para aplicar sua mente a entender essas coisas e agir em coerência com aquilo que entendeu. Esse espírito competitivo natural do ser humano faz com que sua consciência esteja atrofiada demais .

7. O despertar da unidade das classes inferiores (uma causa perdida)

Pensando em tudo isso, só há duas coisas que poderiam despertar os trabalhadores para se unirem como no passado. Uma delas seria uma perda muito grande de direitos trabalhistas, fazendo com que tais trabalhadores sentissem novamente que não teriam mais nada a perder na vida, preferindo morrer em lutas por direitos trabalhistas a continuarem vivendo tão grande opressão. Não é muito provável que isso venha a acontecer, pois os grandes donos do capital, isso é, a classe dominante provavelmente não deixaria as coisas chegarem a esse ponto de novo, para não terem que enfrentar as guerras violentas contra trabalhadores que tiveram que enfrentar no passado. Eles certamente têm uma estratégia de retirada de direitos aos poucos de modo que a classe trabalhadora não sinta a dor dessas perdas tão fortemente assim.
Uma outra coisa que poderia despertar o sentimento de união na classe trabalhadora, e também em outros trabalhadores que são anônimos na sociedade, é a conscientização de que o individualismo é uma praga sem precedentes na história da humanidade, e que é preciso que todos se unam em torno de um grande sonho coletivo. É preciso entender que a humanidade está sendo severamente castigada por essa liberdade individualista concebida pelo capitalismo, a qual nos leva a concluir que vivemos em competição, e não em liberdade, o que leva as pessoas ao pior tipo de prisão, que é a prisão interior causada por tantos transtornos de ansiedade e depressão. O problema é que a humanidade é persistente demais em suas manias de grandeza, desde o maior até o menor de todos os homens, o que torna esse processo de conscientização da necessidade de um sonho coletivo praticamente impossível de ser realizado na grande maioria dos humanos anônimos, os quais compõem as massas. Mas a dura realidade é a de que este é o único caminho.
Já diz aquele antigo ditado: “O povo unido jamais será vencido.”. É uma grande verdade, mas que povo na terra é unido? Se a classe trabalhadora fosse incorruptível, não teríamos tamanha destruição da consciência de classe trabalhadora, mas a experiência humana nos mostra que tanto grandes quanto pequenos têm em seu sangue o gene da competição e das manias de grandeza. Trabalhadores unidos poderiam fazer o que quisessem. Qualquer povo unido é capaz de realizar grandes coisas e ser próspero em tudo o que faz, mas a união é um processo vivenciado por uma parcela muito pequena da humanidade, e não é vivida por um único grupo unido mundial, mas por pequenos grupos unidos espalhados por aí, que não são conflitantes entre eles, mas que não têm o poder de mudar o curso perverso desse sistema.
Se as massas fossem unidas, elas poderiam fazer muito mais do que movimentos trabalhistas eficazes. Talvez não seja o caso de se repetir o passado das guerras trabalhistas, caso fosse possível gerar uma grande união popular, pois muitas perdas humanas acontecem nessas guerras, o que faz com que os que morrem não cheguem a usufruir das conquistas realizadas por tais lutas. Talvez o que de melhor poderíamos fazer com essa união, uma vez superado o egoísmo e o individualismo, seria uma grande ação de ajuda mútua, compartilhando-se bens materiais e verdadeiro conhecimento uns com os outros. Esta seria uma alternativa a tentar fazer com que os grandes capitalistas dividam melhor suas riquezas com seus trabalhadores. É verdade que um movimento como esse também seria perseguido pela classe dominante e por boa parte da classe intermediária, pois um povo unido não pode ser dominado, o que frustra a capacidade da classe dominante de ser de fato dominante. Mas tal perseguição provavelmente seria mais branda, pois este povo não estaria lutando para obrigar seus dominadores a dividir suas riquezas com ele.
De qualquer forma, uma vida onde se substitui o individualismo pelo coletivismo, onde todos se consideram iguais, e não superiores uns aos outros e onde todos se desapegam desta vida, sabendo que não vale a pena sofrer por nada deste mundo, certamente é uma vida muito melhor, onde as pessoas se sentem motivadas a praticar o socorro mútuo, e não apenas a obrigar as classes mais privilegiadas a dividirem suas grandes riquezas com elas.

8. O que podemos fazer como membros das massas?

A união das massas seria capaz de realizar grandes coisas, mas estamos a anos-luz de distância dessa unidade. Então, o que nos resta a fazer é nós mesmos superarmos o individualismo pela auto-conscientização e a formarmos uniões com pessoas queridas e que também estão dispostas a superar o egoísmo. Assim, que cada um faça o bem dessa maneira, e procurando levar conscientização a outros da maneira mais sábia possível, evitando-se atirar pérolas aos porcos. Praticamente nada podemos fazer para mudarmos o mundo individualmente, mas, se há outras pessoas no mundo procedendo dessa maneira para melhorar o mundo ao redor delas, então alguma mudança o mundo está experimentando. Se esta civilização entrar em colapso por causa de uma grande guerra e por grandes catástrofes naturais, que os que forem sábios no meio dela estejam atentos a como escapar dessa destruição, deixando os sonhos individualistas deste sistema para se engajarem num possível grande sonho coletivo depois do grande colapso.






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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Eu estava procurando uma legenda, então 💡🤣🤣💡


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