Por Fernando de Noronha
O atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, está presente na política nacional há cerca de 30 anos. Durante quase todo esse tempo, ele foi deputado federal e é hoje presidente do Brasil há 2 anos. Ele sempre se expressou com um discurso radical de extrema direita, defendendo a ditadura militar brasileira, a tortura, atacando o comunismo, fazendo apologia à barbárie e a idéias bélicas em prejuízo da ordem jurídica instituída e demonstrando desprezo pelas minorias, isso é, por pessoas de grupos em condições de vulnerabilidade social, como negros, gays, mulheres, trabalhadores, índios e outros.
Fato é que, desde cerca de 2014, um número expressivo de brasileiros começou a se identificar com o discurso de ódio de Bolsonaro. São pessoas ricas e da tradicional classe média, e de pele branca. Isso é visivelmente notório quando se via aquelas manifestações fascistas que aconteciam aos domingos contra o PT, a esquerda e a favor de Bolsonaro. A retórica sombria, bizarra, cruel e desumana do atual presidente tornou-se o grande atrativo dessa classe média e rica por ele.
E por que isso? Porque eles queriam ver longe da vista deles a nova classe média que surgiu durante o tempo em que o PT conseguiu governar. Eles ficaram profundamente indignados ao ver que começaram a ter que dividir seus espaços privilegiados com pessoas que eles gostavam de olhar de cima para baixo. Odiaram ter que dividir com eles as universidades públicas, os aeroportos, os restaurantes chiques e outros lugares aos quais os mais pobres não tinham acesso e passaram a ter acesso porque prosperaram graças às políticas sociais dos governos do PT. Além disso, a classe empresarial ficou profundamente irritada à medida que seus custos com trabalhadores foram aumentando e começaram a ter que pagar pelo menos parte dos impostos que a constituição determina que eles paguem, como resultado também das políticas dos governos do PT.
Essa tendência macabra dessa classe mais abastada não é exclusividade dela. Todo ser humano tem a tendência de preferir os privilégios aos direitos, a exclusividade ao comum, o estrelato ao anonimato... Todos nós temos a tendência de buscar nos destacar na multidão em vez de querermos nos nivelar a ela. Somos competitivos por natureza, em vez de cooperativos, e isso é a raiz de todos os conflitos da nossa espécie.
Mas o fenômeno Bolsonaro não parou aí. Foi muito além disso. Era notório, nas eleições de 2018, que um número cada vez maior de pessoas passou não somente a decidir votar nele como também a ser fã dele. Até mesmo pessoas de quem sempre se esperou o melhor começaram a ter considerável estima por Jair Bolsonaro. Pessoas que repudiavam (e ainda repudiam) discursos bizarros como os que ele sempre fez passaram a ser seus seguidores (pelo menos até certo ponto) e votaram nele. Alguma coisa aconteceu em 2018 (e pelo visto continuou acontecendo nos anos seguintes até hoje) que fez com que o número de eleitores dele aumentasse assustadoramente, passando por cima da alta taxa de rejeição que ele tinha e levando-o a ser eleito, tendo até mesmo chegado perto de ser eleito no primeiro turno.
Mas que fenômeno foi esse? Ou melhor, que fenômeno é esse que mantém até hoje tanta gente debaixo dessa magia em torno da figura de Bolsonaro? Uma consultora da Cambridge Annalytica disse em uma entrevista que Jair Bolsonaro usou a Internet para desinformar e persuadir eleitores, de maneira semelhante ao que aconteceu nos EUA para eleger Donald Trump em 2016. Se alguém fizer uma pesquisa na Internet, encontrará várias notícias dizendo que isso de fato aconteceu no Brasil. É o tipo de lavagem cerebral que se direciona somente a pessoas que possuem um determinado perfil. Notícias falsas e desinformação direcionada somente a pessoas com tendência a acreditar nelas, de modo que nós não vemos o que essas pessoas estão vendo, e, portanto, não conseguimos compreender como de repente começaram a assumir certas formas de pensamento que abominamos.
Porém, houve um fenômeno de lavagem cerebral a favor de Bolsonaro visível a todos na Internet. O Youtube estava infestado de vídeos que o defendiam e o enalteciam e de vídeos anti-petistas. Estes eram os vídeos de política que mais faziam sucesso no Youtube em 2018. Diariamente surgia uma infinidade de vídeos a favor de Bolsonaro que ganhavam milhares de visualizações em poucas horas. Esse certamente não era um fenômeno meramente popular. Pela intensidade com que ocorreu, certamente estava rolando rios e rios de dinheiro para essa máquina frenética de produção desses vídeos.
Todos os indícios apontam para o fato de que os grandes capitalistas do mundo tinham interesse na eleição de Jair Bolsonaro no Brasil. Isso era muito visível aos olhos mais atentos. Investiram uma quantia enorme e desconhecida de dinheiro para que ele fosse eleito no Brasil, pervertendo a opinião de muitos brasileiros até bem intencionados que tinham certas tendências de pensamento, mesmo muitos deles mantendo sua repulsa por sua retórica mais bizarra, e multiplicando o número de eleitores do atual presidente, que, antes disso, tinha taxas de rejeição popular muito altas.
Assim, os eleitores de Bolsonaro foram os brasileiros da tradicional classe rica e média, que se identificaram com seu discurso fascista e socialmente higienista, e aqueles que sofreram a lavagem cerebral da Internet que modificou substancialmente sua forma de ver o mundo e os levou a não só votar no atual presidente como também a apreciá-lo. Quanto a estes últimos, quem são eles? Qual é o seu perfil ideológico e filosófico? Qual é a forma de pensar e de ver o mundo dessas pessoas que estavam tão suscetíveis a sofrer essa modificação do pensamento que os levou a votar em Bolsonaro, a qual foi realizada por um engenhoso método de lavagem cerebral na internet, e que método foi esse que transformou tão profundamente o pensamento de certas pessoas sensatas a ponto delas terem admiração por uma figura tão animalesca e cruel como o atual presidente?
Primeiro, é preciso ter em mente que mesmo as melhores pessoas podem estar suscetíveis a assumir formas de ver o mundo gravemente distorcidas. Talvez poucas pessoas sequer se dêem conta disso, e a intolerância em relação a quem pensa tão diferente acaba nascendo da incompreensão desse fato. Assim, pessoas bem intencionadas acabam se estranhando e entrando em profundos conflitos, acusando uns aos outros de coisas que eles não são, ou não são até certo ponto. De fato, até as melhores mentes pensantes podem assumir formas de pensamento muito fora da realidade. A mente humana se perde tão facilmente em ilusões que existem até correntes de pensamento filosóficas que concebem a idéia de que não existe verdade absoluta e nem realidade objetiva, como se a realidade se moldasse à forma como a percebemos.
Mas será que não existe verdade absoluta e nem realidade objetiva? Tal afirmativa não é, por si só, uma verdade absoluta, e isso não seria uma grande contradição dessa idéia relativista? Vamos colocar essa idéia à prova por meio de exemplos. A própria matemática é um exemplo de que a realidade não se molda à interpretação do sujeito. 2+2 sempre será 4, e isso não depende de interpretação subjetiva. A própria matemática, que é a única ciência 100% exata, é usada para se elaborar modelos de como funcionam os fenômenos das outras ciências. Tais modelos explicam tais fenômenos com precisão suficiente para que, com base neles, a indústria possa produzir tecnologia para diversos fins. Tecnologia que sempre funciona como previsto por esses modelos matemáticos, e isso não depende de interpretação.
Portanto, tendo em vista que as coisas são como são, e não como as vemos, é possível citarmos algumas coisas que comumente são tidas como verdade mas são incrivelmente falsas e absurdas. Isso para podermos ver que muitas vezes nos escandalizamos com o absurdo de certas idéias mas aceitamos outras que podem ser até mais absurdas. Vamos por exemplo questionar o dogma do inferno segundo o cristianismo, um castigo infinito e extremamente doloroso. Castigo infinito pode ser justo e proporcional a qualquer maldade cometida neste mundo? Faz sentido punir infinitamente as maldades cometidas numa vida finita? Ou ainda, como alguém pode conceber a idéia de que um justo possa sofrer tal penalidade porque se recusou a “aceitar Jesus”, conforme prega o protestantismo? Isso não seria ainda muito mais absurdo do que a simples idéia de penas eternas? Onde está a razão e a justiça nessas idéias que são aceitas por bilhões de pessoas e não escandalizam tantas pessoas sensatas no mundo, sendo até aceitas por muitas pessoas que tem considerável nível de sensatez.
Pode-se ainda citar o exemplo da doutrinação capitalista, que preconiza um modelo de justiça onde cada um é responsável pelo seu próprio destino, onde ser rico ou pobre depende unicamente do nível de esforço e persistência de cada um, e isso individualmente, embora os indivíduos da sociedade capitalista vivam em sociedade, como em qualquer sistema. Se todos forem ricos, quem serão os trabalhadores que trabalharão para enriquecê-los? Se todos forem chefes, quem sobrará para ser chefiado e para fazer os trabalhos de base? Se tivermos um concursos de 1000 candidatos por vaga e o candidato que menos pontuou tiver acertado 90 % da prova, adiantou ele ter tirado uma nota tão alta, se ele passou tão longe de ser classificado, por ter ficado em último lugar entre todos os candidatos? Dá pra perceber como no capitalismo a justiça é só para uma ínfima parcela da população e não para todos, já que este sistema transformou tudo em competição, onde pouquíssimos vencem e uma imensa maioria é derrotada?
Tanto a idéia do inferno eterno quanto a idéia da doutrina do sonho individualista estão nas mentes de muitos esquerdistas mundo afora. O bolsonarismo escandaliza, mas estas idéias não escandalizam ninguém, por mais absurdas que sejam. Este texto poderia se delongar em mais palavras para se refutar mais profundamente estas idéias, mas bons entendedores não precisam de muitas palavras para entenderem, e não é o objetivo deste texto discutir acerca de inferno ou de doutrinação capitalista. O objetivo deste texto é deixar claro que mesmo pessoas sensatas podem acabar aceitando, de uma forma ou de outra, idéias terrivelmente absurdas, e que, por isso, temos que ser compreensivos uns com os outros quando percebemos que pessoas de bom caráter que conhecemos estão aceitando formas de pensar que nos escandalizam.
Uma outra coisa a respeito de Bolsonaro é que, no ano eleitoral de 2018, as mídias sociais criaram uma outra face dele diferente da imagem fascista que ele mesmo vem construindo ao longo de sua vida política com seu discurso de ódio. Criaram um Bolsonaro democrata; a favor de punições severas para criminosos, mas sem tortura; neoliberal, mas a favor não só do bolsa-família, mas também de uma ampliação do benefício; anti-comunista, mas sem idéias radicais sobre a ditadura militar brasileira; e também conservador nos costumes mas solidário, de certa forma, aos direitos das minorias, como negros, mulheres e gays. Além disso, elas venderam a imagem de um Bolsonaro honesto, que iria colocar em prática a chamada “nova política”, sem alianças com corruptos, coisa que muitos acreditam que ele não fez por ter estado aparentemente tão isolado na Câmara dos deputados, durante todos os seus quase 30 anos como deputado federal.
Foi com essa imagem de Bolsonaro que as mídias sociais operaram uma lavagem cerebral nos brasileiros que foi capaz de superar a alta taxa de rejeição que ele tinha no meio dos eleitores. Havia duas faces dele em ação. O discurso dele para o grande público era um discurso moderado, enquanto que ele mantinha o mesmo discurso de ódio para seus seguidores fascistas. Vez ou outra ele tinha que se explicar para o grande público quando ele falava essas barbaridades aos seus seguidores em 2018.
Portanto, foi esse Bolsonaro “moderado” que conquistou grande parte dos brasileiros, o que o levou a ser eleito em 2018 e a ser o atual presidente do Brasil. Pode-se dizer que os brasileiros sensatos que seguem Bolsonaro hoje são aqueles que se identificam com seu lado “moderado”, afinal, ainda que certos discursos radicais possam se justificar, é improvável que alguém de boa índole possa assumir um discurso radical como o de Bolsonaro, pois é uma retórica de ódio que se volta contra o oprimido e não contra o opressor. A raiva e a indignação contra o opressor é perfeitamente compreensível, mas esse mesmo sentimento contra o oprimido, poupando o opressor, pode ser algo que venha de gente de boa índole?
Parece ser muito pouco provável acontecer de alguém acreditar sinceramente que os opressores do sistema sejam bons e que seus oprimidos sejam maus e esta crença os levar ao ponto de destilarem ódio mortal contra estes. Mesmo sabendo, como foi dito há pouco, que pessoas sensatas podem ser enganadas por idéias muito absurdas, o que se sabe é que essa gente que se identificou com o discurso de ódio de Bolsonaro o fez por ódio de ter visto tanto pobre subir na vida, como foi dito anteriormente. Essa raça é tão perversa que, por causa de tanto ódio, pediram o AI-5 de volta, para que sejam torturados e mortos todos os políticos e ativistas de esquerda, que são a favor do direito dos mais pobres de terem uma vida digna. A manifestação de ódio dessas pessoas na Internet é uma coisa escandalosa.
É visivelmente notório às pessoas que têm uma percepção razoável do mundo que essas pessoas se comportam como cães raivosos enlouquecidos sem nenhuma razão. Odiar essas pessoas por causa de sua maldade de modo nenhum iguala quem quer que seja a eles. Muito pelo contrário: é de se esperar de fato que as pessoas razoáveis tenham intensa repulsa por esse tipo de gente. Não dá para perdoá-los e nem “interceder a Deus” por eles. Desejar que alguma forma de justiça universal os faça pagar amargamente por sua maldade sem limites é sem dúvidas algo muito nobre.
Em março de 2020, Jair Bolsonaro convocou essa turma do ódio para manifestações contra o Congresso Nacional e contra o STF, numa tentativa de dar um golpe para instalar uma ditadura do Executivo neste país. Eles começaram a se aglomerar em manifestações na capital federal, nas quais gritavam palavras de ordem contra o Congresso e o STF, além de manifestar seu desejo por uma perseguição sanguinária contra esquerdistas, socialistas e comunistas, carregando inúmeras faixas pedindo o AI-5 de volta. Eles fizeram isso em plena pandemia do novo coronavírus, sem máscaras, sem receio de espalhar ainda mais o vírus, e, diga-se de passagem mais uma vez, era praticamente impossível achar entre eles alguém que não fosse de pele branca. Parecia, em todos os aspectos e sentidos, uma versão brasileira do Ku Klux Klan ou um grupo enorme de neonazistas reunidos.
Era uma coisa simplesmente incrível e escandalosa de se ver! Hoje, a esquerda não pega mais em armas como no tempo da ditadura, e sempre procura chegar ao poder por meio do voto, e não por meio de golpes ou revoluções, mas mesmo assim essa gente queria ver o sangue derramado dos esquerdistas. Bolsonaro já tinha dado a entender, em discursos passados, que a ditadura militar brasileira ainda fora branda na sua perseguição aos comunistas, quando falou coisas do tipo “o erro da ditadura foi ter torturado e não ter matado”. E tudo indica que o atual presidente Jair Bolsonaro, na sua tentativa de golpe do poder executivo, queria colocar isso em prática no Brasil contra aqueles que ele chamou de “bandidos vermelhos”, isso é, contra todos os comunistas, socialistas e esquerdistas, e é certamente isso que essa elite branca queria e ainda quer. Ou seja, essa gentinha queria algo pior do que o AI-5, pois queriam ver aqueles que defendem o direito dos mais pobres a uma vida digna serem torturados e mortos, mesmo estes não pegando em armas como no tempo da ditadura. Quão grande é o ódio deles por pobre que sobe na vida!
Mas essa raça maldita vai ficar só na vontade de derramar sangue dessas pessoas, pois esses planos macabros de Bolsonaro estavam contra os interesses da elite mundial do capital no Brasil. Depois que esta elite usou o Sérgio Moro para jogar a merda no ventilador e revelar as bestialidades e os horrores que estavam sendo tramados durante a reunião ministerial de 22/04/2020, Bolsonaro levou uma violenta puxada de tapete. Com o tempo, ele foi vendo que, se continuasse a insistir no golpe que estava tramando, ele iria sofrer impeachment. Por isso, ele começou a aderir à chamada velha política. Voltou-se ao Congresso e comprou o Centrão por um preço alto, oferecendo cargos e mais cargos aos deputados e senadores dessa ala. Foi aos poucos se aproximando do STF, indicando um juiz para substituir o ex-ministro Celso de Melo, por exemplo. Assim, para sobreviver no poder, Bolsonaro foi aos poucos se tornando um democrata de direita. Hoje, não se houve mais falar dessas aglomerações dessa elite branca em Brasília.
Portanto, é preciso ter bem definido em mente que existem basicamente dois tipos de bolsonaristas, isso é, aqueles que passaram por uma lavagem cerebral para aceitarem uma falsa imagem moderada e democrata do atual presidente e aqueles que já há vários anos se identificaram com seu discurso mórbido. Embora seja preciso ter em mente que não se deve confundir posições políticas com caráter e boa índole, parece muito improvável que haja alguém de boa índole entre estes últimos. Quanto a estes, que o inferno os engula eternamente, mas quanto aos primeiros, é preciso cuidado antes de condená-los, pois há pessoas de boa índole entre eles. Além disso, embora a esquerda seja uma ideologia que defende o oprimido, é preciso entender-se que ser de esquerda também não é um selo de bom caráter. Há muitos esquerdistas que não valem nada, até porque, como foi dito anteriormente, muitos esquerdista se deixam enganar pela indústria do sonho capitalista.
Já aquelas pessoas que conhecemos por terem bom caráter, mas que, de alguma forma, foram enganadas e hoje seguem Bolsonaro, estas temos que compreender. A melhor arma contra a ignorância delas é o silêncio, pois, criticá-las e tentar fazê-las enxergar o outro lado só tem dado efeito contrário. Isso só dá a elas mais ímpeto para querer refutar quem quer fazê-las enxergar. Parece mesmo certo que a melhor estratégia para fazermos nossos entes queridos enxergarem um dia a loucura do bolsonarismo é manter-se em silêncio e deixar que eles caiam em si por eles mesmos. Se bem que falar de política de esquerda de vez em quando ajuda, pois isso é como uma semeadura que poderá gerar frutos num futuro que não sabemos quando virá. Mas não se deve fazer isso com aquele ímpeto de querer fazer a pessoa enxergar certas verdades como que na marra, pois isso gera um choque que leva a efeitos contrários.
Além disso, é preciso ter em mente que a ideologia de esquerda não é 100 % verdadeira. Nenhuma ideologia ou filosofia corrente contém toda a verdade e nem é totalmente verdadeira. Mais do que tentar fazer os bolsonaristas enxergarem a alienação em que estão submersos, é preciso ir em busca das verdades da vida como elas são, procurando enxergá-las de maneira cada vez mais precisa.