domingo, 26 de janeiro de 2020

OS MOVIMENTOS SOCIAIS SÃO IMPORTANTES ATÉ QUE PONTO?

Por Fernando de Noronha

Eu apoio os movimentos sociais das minorias, como os movimentos trabalhistas, o feminismo, o movimento anti-racismo, a causa dos gays, indígenas, etc. Acho importante a organização desses grupos para lutarem por seus interesses comuns. Eu mesmo participo das greves da empresa onde trabalho para lutar por melhores condições para a minha categoria. Eu acho que esses movimentos têm o potencial de trazer melhoria de vida para seus grupos, porém, apenas até certo ponto. Eles estão longe de nos trazer o mundo ideal.

Pra início de conversa, essas minorias não são meras vítimas. Elas não são constituídas só de pessoas honestas e justas que só padecem injustiças a cada mal que sofrem de seus opressores. Pelo contrário: via de regra, opressores e oprimidos são quase igualmente perversos. O que se pode dizer com isso é que os oprimidos já estão como que pagando pelos seus erros, enquanto que os opressores, via de regra, não o estão. É verdade, por exemplo, que muitos trabalhadores sacaneiam seus patrões, muitas mulheres sacaneiam os homens, muitos índios sacaneiam a sociedade civil, e por aí vai. O que dizer, ainda, do crime organizado, que hoje fatura rios de dinheiro assolando a sociedade civil e foi formado pelos excluídos do sistema brasileiro, os quais, em sua grande maioria, são negros?

Portanto, por mais que os movimentos sociais sejam importantes, não se pode tratar os oprimidos e excluídos como meras vítimas de injustiças sociais. Não dá pra aplicar o vitimismo a eles. Não é por isso, também, que a opressão a quaisquer desses grupos deixa de ser injustiça digna de todo repúdio e de ser veementemente combatida, mas enquanto o vírus da maldade estiver no sangue de todo ser humano, a humanidade jamais deixará de ser conflituosa. Enquanto os seres humanos precisarem de conflitos e guerras para conquistar direitos ou até privilégios, nunca teremos verdadeira qualidade de vida.

É importante ressaltar, também, que o poder corporativo dominante sempre tentou comprar esses movimentos sociais e pervertê-los, e ele tem tido sucesso nisto. No caso dos movimentos trabalhistas, por exemplo, muitos sindicatos se venderam e quase todos os trabalhadores se deixaram seduzir pelo sonho capitalista de prosperar pelo trabalho duro, os quais são sonhos individualistas que destroem a consciência de classe dos trabalhadores. No caso do movimento feminista, eu o vejo como tendo sido totalmente comprado pelos grandes capitalistas. Não dá pra assistir os grandes telejornais e não perceber que a mídia defende os mesmos interesses defendidos pelo feminismo. Um fato importante sobre o feminismo é que, à medida em que as mulheres vão ganhando espaço de destaque na sociedade, elas também vão adquirindo uma sobrecarga visivelmente maior do que a dos homens, isso em função da maternidade.

O ser humano só vai ter verdadeira qualidade de vida quando desenvolver as virtudes necessárias para uma convivência pacífica entre as várias partes da sociedade. Mas esta utopia parece cada vez mais distante. De qualquer forma, considero o desenvolvimento das virtudes muito mais importante do que os movimentos sociais que lutam por direitos, pois esse processo, embora pareça estar longe de alcançar todos os seres humanos, pelo menos tem o poder de trazer paz ao indivíduo que se torna cada vez mais virtuoso.

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