Não demorou muito para que elas aparecessem. As panelas que tinham sumido da cena política brasileira voltaram a soar e a participar da vida pública.
Creio que o motivo maior delas, agora, estarem barulhando nas varandas da classe média é pq o vírus mostrou que “o rei está nu”.
As medidas do governo (ou a falta delas), já não atingem apenas os mais pobres.
Tudo leva a crer que Elas não batem hoje por conta do aumento do gás, do dólar, da gasolina, da cesta básica; contra as injustiças sociais, como a reforma trabalhista, previdenciária, o sucateamento da educação, ou pelo fortalecimento do SUS.
Elas batem hoje, pq o vírus não vê classe social. Inclusive, ele iniciou sua ação nefasta justamente por aqueles que reclamavam que o aeroporto estava virando rodoviária. Pela classe que não se importa com a alta dos preços ou a desintegração do Estado, contanto que os privilégios sejam mantidos.
“Como um vírus tem a ousadia de nos atacar? INADMISSÍVEL!!! É necessário que o “mito” tome providências” - pensaram os incautos-, mas, como era de esperar, receberam do seu representante aquilo que ele sempre demonstrou ter a oferecer: desconhecimento, irresponsabilidade, incompetência, falta de respeito e humanidade.
Diante dessa realidade é fácil compreender quando um dos hospedeiros - possivelmente inspirado nas ações irresponsáveis de seu representante -, diz, ao ser abordado pelos órgãos de saúde: “Não há nada que um banho de mar não cure”, demonstrando sua total desumanidade e falta de responsabilidade consigo mesmo e com a coletividade.
Voltando às panelas, continuo com a convicção de que elas não batem pela democracia ou pela justiça social. Mas, porque diante da realidade que a pandemia nos apresenta, o circo está injustificado. O privilégio social da saúde e da manutenção da vida está em risco, então, estão forçados à tirar as panelas do rabo e, como um cão arrependido, colocar o cabo entre as pernas e até mesmo pedir ajuda aos cubanos, outrora guerrilheiros comunistas, ávidos por implantar a revolução bolivariana no Brasil.
Ciro Lins - Professor e Historiador