Sim, acredite: esta peça publicitária é da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República).
Durante toda a minha vida, vi governos promoverem campanhas de vacinação. Assim, o Brasil acabou com a poliomielite, tendo recebido em 1994 a certificação, como também com o sarampo, certificado em 2016. E campanhas com vacina de alta qualidade, produzida por instituições de credibilidade e excelência no país, como a Fiocruz.
Não me recordo de nenhum momento da minha infância, juventude ou vida adulta, em que vacinar fosse questionado. Parecíamos um povo que vinha tendo mais acesso à informação, à educação e à ciência. O trabalho de conscientização vinha dando certo.
Até que... uma notícia vinda de um estudo realizado na Europa e não terminado, portanto sem comprovação, gerou um frenesi e um movimento antivacina. Só para apimentar mais: o movimento tornou-se ideológico, sabe? E tem mais: é de extrema-direita. Não acredita? Dá um Google.
O movimento antivacina, por si só, é bizarro, para usar o adjetivo da moda, mas ele alça outro patamar (tô com o vocabulário moderninho), quando ele se materializa numa propaganda de Governo. Não, você leu direitinho, propaganda oficial.
O futuro começa a turvar-se, já que a defesa do direito à vida é substituído pela ideologização da ciência e sua negação. Quando a liberdade de viver foi substituída pela ignorância? Qual foi a parte que eu perdi para não compreender (me recuso) o que está por trás de tamanho absurdo?
Se aceitarmos sem indignação o que se delineia, um tapete vermelho será estendido para o obscurantismo se instalar.
