segunda-feira, 12 de outubro de 2020

DIREITOS OU EMPREGOS



Por Fernando de Noronha

O que será que é melhor: termos um governo trabalhista e termos nossa economia sabotada pelos grandes capitalistas, os quais não querem mais saber de direitos trabalhistas, ou sermos governados pela direita e os trabalhadores perderem seus direitos? É aquele dilema que os empresários apresentaram ao Bolsonaro: "trabalhador vai ter que decidir entre menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego". A Venezuela pode ser vista como um exemplo de "todos os direitos e desemprego". A Argentina está indo pelo mesmo caminho. Os grandes capitalistas estão colocando em prática essa lógica. Se o país é governado pela esquerda, eles retiram de lá seu capital para destruir sua economia e colocar o povo contra o governo. 
Seria, então, o Brasil um exemplo de "menos direitos e emprego"? Sim, mas isso só mostra que essa lógica empresarial sobre direitos e empregos é bem mais perversa do que dá a entender que é. Mesmo antes do coronavírus, o desemprego enorme no Brasil não foi de fato diminuído com a reforma trabalhista de Temer e a MP e a lei da liberdade econômica de Bolsonaro. Sem dúvidas que o cenário econômico do Brasil é melhor do que o da Venezuela, mas até que ponto isso está sendo melhor para o trabalhador brasileiro do que para o trabalhador da Venezuela? Menos direitos é eufemismo. Nós estamos é com MUITO MENOS direitos! Trabalhar e ter direito a apenas uma folga por mês??? Isso é vida? Será que isso é melhor do que passar fome? Até que ponto? Outra pergunta que cabe é: até que ponto a situação da Venezuela é caótica? Até que ponto a mídia diz a verdade sobre o que está acontecendo lá? Se há manifestantes do povo defendendo o regime de Nicolás Maduro, então será que as coisas lá estão destruídas assim? 
De fato, há empresários que trabalham de domingo a domingo e dormem pouco. Mas são empresários, geralmente médios e grandes, que fazem isso. São pessoas que trabalham para elas mesmas e tem várias outras trabalhando para elas. São pessoas cuja sobrecarga de trabalho é muito bem recompensada por suas riquezas e por seu prestígio social. Agora o que dizer de trabalhar para os outros e ter direito a apenas uma folga por mês? Quem trabalha nesse regime por uma mixaria, sendo ainda considerado socialmente como um derrotado por estar num “empreguinho”, pode estar feliz? Um sistema onde se trabalha para os outros nesse regime, debaixo de muita cobrança e pressão, num ambiente altamente competitivo, pode ser chamado de ordem social ou deveria ser chamado de caos. O nosso caos é realmente melhor do que o caos da Venezuela? O que é pior? Uma ordem social caótica ou o caos como ele é? Viver para trabalhar dessa maneira é realmente melhor do que estar desempregado e entregue ao abandono? 
O que os empresários vêm impondo no Brasil, de Michel Temer para cá, é extremamente cruel com o trabalhador. O mesmo os empresários estão fazendo no resto do mundo. A classe trabalhadora perdeu muitos direitos e muito pouco tempo nos países governados pela direita! Quanto falta para voltarmos à opressão que era nos tempos da primeira Revolução Industrial, quando os trabalhadores se revoltaram ao ponto de preferirem morrer em guerras contra os seus empresários do que viverem na opressão em que viviam? Até onde vai chegar toda essa destruição dos direitos trabalhistas, que têm levado muitos à informalidade pelo fato deles verem que é impraticável trabalhar com carteira assinada nas condições que são impostas hoje? 
Parece mesmo que está cada vez mais difícil para a classe trabalhadora decidir entre “menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego”. Se chegarmos num ponto em que os trabalhadores vão pegar em armas novamente para guerrear contra o aparato militar dos grandes capitalistas, aí não haverá mais dúvidas de que é melhor termos um governo trabalhista e termos a economia sabotada do que vivermos essa nova ordem social que o capitalismo está impondo no mundo.

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